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Servidores de hospitais federais no Rio entram em greve

Servidores da área de saúde dos seis hospitais federais no Rio de Janeiro entraram em greve nesta quarta-feira (15) por tempo indeterminado.

Por J1 em 15/05/2024 às 20:58:50

Servidores da ├írea de sa├║de dos seis hospitais federais no Rio de Janeiro entraram em greve nesta quarta-feira (15) por tempo indeterminado. Entre os principais itens da pauta de reivindicações estão a recomposição salarial, a realização de concurso p├║blico e a reestruturação das unidades que sofrem com o sucateamento ao longo dos ├║ltimos anos.

Segundo os servidores, até o momento, o governo federal não ofereceu nenhum reajuste. Eles também cobram pagamento do adicional de insalubridade e o cumprimento do piso da enfermagem em valores integrais.

De acordo com o Sindicato dos Trabalhadores Federais em Sa├║de e Previd├¬ncia no Estado do Rio (Sindsprev-RJ), as unidades vão funcionar com 30% do quadro de funcion├írios para dar sequ├¬ncia aos serviços considerados essenciais como hemodi├ílise, quimioterapia, cirurgias oncológicas, transplantes e atendimentos de emerg├¬ncia.

Atos de greve estão programados para a próxima semana. Na segunda-feira (20), os servidores irão se reunir pela manhã em frente ao Hospital Federal de Bonsucesso. No dia seguinte, a mobilização ser├í a tarde, no Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia (Into). Procurado pela Ag├¬ncia Brasil, o Ministério da Sa├║de ainda não se manifestou sobre a greve.

Os seis hospitais federais do Rio de Janeiro são especializados em tratamentos de alta complexidade para pacientes de todo o pa├şs dentro do Sistema ├Ünico de Sa├║de (SUS). Essa grande concentração de unidades, incomum na demais cidades do pa├şs, se deve ao fato de o Rio ter sido capital do pa├şs. Elas continuaram sob a gestão do Ministério da Sa├║de mesmo após a construção de Bras├şlia.

Embora considerados hospitais de excel├¬ncia no passado, essas estabelecimentos enfrentam um processo de precarização que se arrasta h├í mais de uma década. Nos ├║ltimos anos, houve registros de problemas variados que incluem desabastecimento de insumos, alagamentos em per├şodos de chuva e falta de equipamentos. Em 2020, um inc├¬ndio no Hospital Federal de Bonsucesso causou a morte de tr├¬s pacientes que estavam internados e paralisou serviços de refer├¬ncia como o de transplantes de córnea e o de transplantes renais.

No ano passado, outro inc├¬ndio destruiu a sala de anatomia patológica do Hospital Federal Cardos Fontes, em Jacarepagu├í, embora sem registro de nenhuma consequ├¬ncia mais grave. Nesta semana, foi registrado mais um episódio relacionado à deteorioração da unidade. O teto do banheiro dos pacientes do setor de hemodi├ílise desabou na segunda-feira (13). Ninguém se feriu.

Sem concurso p├║blico desde 2010, a questão envolvendo recursos humanos é um dos principais gargalos. Para suprir as necessidades de profissionais, tem se recorrido aos contratos tempor├írios, o que resulta em alta rotatividade, j├í que médicos, enfermeiros e outros trabalhadores da sa├║de não t├¬m garantia de estabilidade. Nos ├║ltimos anos, houve diversas crises às vésperas dos vencimentos dos contratos.

No m├¬s passado, após den├║ncias de irregularidades e m├í administração, o Ministério da Sa├║de divulgou comunicado anunciando diversas mudanças na gestão dos hospitais com o objetivo de promover uma reestruturação após "anos de precarização". Entre elas, foi criado um Comit├¬ Gestor, para assumir temporariamente a administração das unidades. O grupo é integrado por representantes do Departamento de Gestão Hospitalar do Estado do Rio de Janeiro (DGH) e de outras instâncias da pasta.

No fim do m├¬s passado, com a conclusão dos primeiros 30 dias de trabalho do Comit├¬ Gestor, o Ministério da Sa├║de anunciou em nota que a reestruturação de gestão dos hospitais federais seria coordenada junto à Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares (Ebserh), ao Grupo Hospitalar Conceição (GHC) e à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A Ebserh é uma empresa p├║blica respons├ível pela gestão de hospitais universit├írios. J├í o GHC gere hospitais p├║blicos federais no sul do pa├şs, enquanto a Fiocruz é uma instituição de pesquisa vinculada ao Ministério da Sa├║de.

Apesar de a pasta enfatizar as parcerias, a ministra da Sa├║de, N├şsia Trindade, negou na ocasião que houvesse intenção de repassar a gestão das unidades. "Não existe distribuição dos hospitais. O governo não abrir├í mão de coordenar o programa de reconstrução dos hospitais e far├í isso dentro da visão do SUS. Um modelo de gestão definitivo ser├í detalhado dentro desse programa após toda uma fase de an├ílise e de di├ílogos que precisam ser feitos com todos os entes", disse.

No entanto, os servidores manifestam preocupações desde a nomeação da médica Teresa Navarro Vannucci para o DGH, ocorrida h├í duas semanas. Ela ocupava a Subsecretaria Municipal de Sa├║de do Rio. Segundo o Sindsprev-RJ, na gestão da sa├║de da capital fluminense, tem sido frequente a entrega das unidades de sa├║de para organizações sociais e para realização de parcerias p├║blico-privadas (PPPs).

"Além da pauta espec├şfica dos servidores, a greve expressa a luta por uma sa├║de p├║blica, gratuita, universal, de qualidade e inteiramente financiada por recursos p├║blicos. O que implica total rejeição a quaisquer propostas de fatiamento, privatização ou entrega da rede de unidades federais de sa├║de à Ebserh, a organizações sociais ou à gestão do munic├şpio do Rio de Janeiro", registra nota divulgada pelo Sindsprev-RJ.

Fonte: Agência Brasil

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